Líquens
De ConsultemeWiki
OS LIQUENES OU LIQUENS
Os liquens desenvolvidos sobre tronco de árvore. As algas sendo clorofiladas fazem a fotossíntese e produzem carboidratos, que também servem à nutrição dos fungos.
A reprodução dos liquens se faz por meio de sorédios (minúsculos grãos quase microscóspicos contendo algumas hifas e algumas gonídias transportadas pelos ventos).
Os sorédios se formam em pequeninas estruturas com aspecto de taça (os apotécios) ou com forma de pêra (peritécios).
Alguns fungos têm a propriedade especial de se associarem a algas, formando os liquens. Quando se associam a algas verdes e azuis, recebem delas, que fazem a fotossíntese, alimento, em troca fornecem lhes água.
Os liquens são encontrados em abundancia sobre troncos de árvores, rochas e muros. Porém são muito sensíveis à poluição ambiental.
Os liquens são formados através da associação das algas verdes também conhecidas como cianobactérias e os fungos ascomicetos. A integração fungo-alga é tão marcante que os biologistas, mesmo sabendo que os liquens não são “espécies” no sentido taxionômico, ousaram dar-lhes nomes científicos, como cora pavonia, usnea barbata e a lecanora asculenta.
Índice de conteúdo |
Morfologia e Anatomia
Os líquenes apresentam diferentes aspectos morfológicos: filamentosos, foliáceos e incrustantes.
O fungo é geralmente, responsável não só pela forma como também pela estrutura do líquen, contribuindo as hifas para a maior parte da sua massa.
Cortes transversais de certas espécies de líquenes, observados ao microscópio óptico, mostram as algas distribuídas, mais ou menos homogeneamente, em todo o talo, enquanto as hifas se aglomeram junto às superfícies, superior e inferior do mesmo. Noutras espécies, o componente algal forma uma camada paralela à superfície superior.
Fisiologia
No líquen, o metabolismo dos hidratos de carbono está inteiramente dependente da alga, necessitando esta do fungo para a obtenção de água e sais minerais.
O fungo proporciona o ambiente físico para o crescimento da alga, conferindo-lhe também protecção contra a intensa luz solar.
Alguns compostos fúngicos são tóxicos, defendendo o líquen de ser devorado pelos consumidores.
Habitat
Os líquenes proliferam nos substractos mais variados: sobre rochas, solo, casca das árvores e madeira. São seres pioneiros nas rochas nuas, dos solos de florestas queimadas e de escoadas vulcânicas.
Vivem em ambientes onde nem fungos nem as algas se desenvolveriam. Assim, toleram condições climatéricas extremas, como temperaturas desde 60º C a –196ºC; podem estar em dessecação completa, durante meses (o líquen desidrata-se e a fotossíntese é interrompida).
Quando há nevoeiro ou chove, o líquen pode absorver água correspondente a mais de dez vezes o seu peso.
Os líquenes, apesar de suportarem os rigores ambientais descritos, são muito sensíveis aos agentes poluentes, nomeadamente ao anidrido sulfuroso, o que explica a não ocorrência destes seres vivos nas grandes cidades.
Liquens e vegetais ajudam na análise da poluição ambiental
02/03/2006
Bernardo Cortizo, da Ascom/UFPE
Liquens (uma união formada por uma alga e um fungo, onde ambos se ajudam) e vegetais utilizados como biomonitores de poluição ambiental auxiliaram o professor Fernando Mota Filho, do Departamento de Ciências Geográficas, a identificar fatos importantes sobre a propagação da poluição por chumbo. Durante a pesquisa, foi possível observar os níveis do metal, no solo e na água, e alertar para os altos índices de chumbo nas imediações de Belo Jardim, no Agreste de Pernambuco, a 184 km do Recife. A pesquisa do professor, desenvolvida para sua tese de doutorado, mostra como é possível, através da análise da vida vegetal (e, principalmente, dos liquens), medir o nível de poluição no ambiente.
Transportando amostras de liquens e plantas, vindos de áreas não poluídas, para os arredores de Belo Jardim, onde existem três pequenas unidades de beneficiamento do chumbo, Mota analisou essas amostras e montou um perfil sobre a propagação dos poluentes de origem plumbífera. De acordo com os níveis de clorofila e feofitina nos organismos analisados, o professor foi capaz de indicar o nível de chumbo no ambiente. Os biomonitores foram utilizados no período de fevereiro a setembro de 2003.
O chumbo faz o nível de feofitina dos liquens crescer. “Quanto maior o teor de clorofila nos liquens, melhor a qualidade do ar. O teor de clorofila sendo menor (e maior o teor de feofitina) indica uma degradação, porque a clorofila degrada com a presença da feofitina”, informa o professor. Os espécimes coletados foram então analisados via microscopia eletrônica, quando foi evidenciado que a estrutura dos liquens ficou totalmente deteriorada e escarificada, causando o desaparecimento de sua produção metabólica (matando-os).
Os dados levantados mostraram um resultado interessante: as partículas poluentes de chumbo só são encontradas no ar a até cerca de 400 metros das fontes de emissão, mas ainda eram verificadas no solo além desse raio de ação, indicando que o metal é espalhado principalmente pela água, através do arrasto causado pelas chuvas. Foram encontrados casos onde a concentração de chumbo era de 65 mg/L-1 (miligrama por litro) na água e de 10.000 ppm (partes por milhão) no solo. As amostras de água e solo foram coletadas e analisadas em 2002 e 2005. Os piores resultados são do ano de 2002.
Segundo a legislação brasileira, os números máximos deveriam ser de 0,01 mg/L-1 e de 16 ppm. Esses altos valores são atingidos principalmente em períodos de chuva, sendo menores em períodos de estiagem, evidenciando que os resíduos de chumbo se alastram principalmente pela ação da água. As partículas se encontram no solo, sendo arrastadas pelas águas da chuva, atingindo de forma mais abrangente o meio ambiente, prejudicando a flora e fauna na região. A população local já reclamou, no passado, de casos de animais que morreram devido a problemas neurológicos depois de ingerir vegetais contaminados. O problema foi solucionado após as empresas colocarem cercas evitando o acesso dos animais as suas propriedades.
“Por que isso?”, indaga o professor Mota Filho. “Porque as empresas, principalmente duas delas, estavam lançando simplesmente as águas que usavam no chão. Faziam a lavagem e jogavam à revelia. Não havia controle. Mesmo a CPRH (Agência Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos) fiscalizando, eles trabalhavam à noite”. As empresas da área acabaram tomando mediadas de redução da poluição, seja por iniciativa própria, buscando o certificado ISO 14.000 (uma ISO entregue às empresas de excelência na responsabilidade ambiental), seja por conseqüência direta das reclamações da população. Descobre-se, então, a necessidade de implementar técnicas que não apenas reduzam a poluição atmosférica, vista na maioria das vezes como a grande vilã, mas também a poluição do solo e das águas, muitas vezes relegada ao segundo plano e vista como menos danosa.
ANTECEDENTES – A pesquisa do professor Mota Filho é uma continuação e conseqüência direta de um trabalho iniciado na década de 90, quando foi criado na UFPE um grupo de pesquisas para realizar o biomonitoramento do ambiente. O primeiro estudo do tipo foi feito no Recife, quando foram escolhidos 10 pontos de coleta de amostras de vegetais simples (briófitas e pteridófitas), liquens e vegetais superiores, procurando determinar qual desses seria um melhor indicador da qualidade do ar.
A segunda fase consistiu em realizar um refinamento na pesquisa. Baseando-se agora no campus da UFPE, os pesquisadores dividirão a área interna da universidade (400 hectares) em espaços de 1 hectare, para propósitos de coleta de amostras e de pesquisa. Desta vez as amostras dos biomonitores foram trazidas de fora e plantadas no local a ser observado.
Após essa segunda fase, a pesquisa passou para outras áreas, como Jaboatão, Garanhuns e Pesqueira, até que, por sugestão do professor Edmilson Lima (do Centro de Tecnologia e Geiociências), veio a idéia de realizar essa pesquisa em Belo Jardim, resultando assim na tese de doutorado do professor Fernando Mota Filho, defendida no último mês de fevereiro.
Mais informações Fernando Mota Filho (81) 2126.8275 fmf@elogica.com.br
--Consulteme 16h01min de 30 de Junho de 2008 (UTC)
